10/02/2012
09/02/2012
Lembranças
Leitura do Diario Popular dePelotas remeteu-me a boas lembranças!
Houve uma vez um verão: Laranjal... Bons tempos
23 de janeiro de 2012
Sempre ouvi dizer que aquela casa havia sido a primeira a ser construída no Laranjal... Com tijolos, pois já existiam ali alguns chalés de madeira. Até hoje não sei se é verdade, mas não importa. Na minha lembrança, não é apenas a primeira, é a única. Foi ali que crescemos descalços, descompromissados, cheios de energia e com os dedos da mão calejados pelas peças do "peteleco" e os pés ralados pelos pedais da bicicleta.Chegávamos com a mudança logo após o Natal e o cheiro de mofo invadia nossas narinas ao abrir a porta. Aos poucos, íamos escancarando janelas e deixando que a brisa da lagoa dançasse pela casa e que os raios de sol iluminassem as paredes, como iluminada ficava nossa alma na expectativa dos meses em que estaríamos ali.O rádio da sala demorava um pouco para esquentar as válvulas mas voltava a funcionar; a cozinha começava a adquirir aquele cheiro do café recém-passado, dos bolinhos fritos, da comida do dia a dia.De algum lugar vinham os ruídos característicos do tio Bica, o "pobrezinho", abrindo sua caixa de ferramentas para os consertos necessários em uma casa fechada durante o ano ou, quem sabe, para o início de alguma das tantas obras que ele inventava nas temporadas.As redes voltavam aos ganchos nas paredes das varandas ao redor da casa; as cadeiras de lona eram colocadas em frente à casa; calçadas eram varridas; roupas guardadas em armários; louças lavadas na copa. Tantas coisas que nós nem tomávamos conhecimento pois, há muito já havíamos disparado rua afora pedalando nossas bicis à procura dos amigos de verão.O Laranjal Praia Clube era nossa única diversão noturna. Íamos à pé e com lanternas na mão pois, ao voltarmos, o gerador já estaria desligado e viríamos no escuro. Muitas vezes, caminhávamos iluminados pelo luar. Diz a canção que não há luar tão belo quanto o do sertão e eu me atreveria a dizer que há, pois o daquelas noites no Laranjal é insuperável.A praia era destino seguro todas as manhãs. Saíamos todos juntos, carregando cadeirinhas de lona e guarda-sol e, ao passarmos pelas casas vizinhas, todos iam se juntando ao grupo como se fosse uma grande comitiva. E lá, nas areias grossas da lagoa, ficávamos agrupados, adultos e crianças, numa grande festa entre amigos que só se encontravam nestes meses de verão.Não usávamos relógio, éramos guiados pela luz do sol. O entardecer significava guardar a bicicleta, tomar banho e esperar pelo tio que chegava da cidade com o carro cheio de novidades, geralmente comestíveis. E a noite trazia as visitas que vinham jogar canastra ou pontinho.O telefone, único, ficava no bar do seu Adão, na esquina, onde um caramanchão acomodava bancos para que as pessoas esperassem sua vez de falar e, como o funcionamento da telefonia era precário, quase não se escutava e era necessário gritar. As conversas eram tudo, menos sigilosas.Nos finais de semana o tio Caneco chegava de Porto Alegre. Também eram dias em que podia chegar alguma visita e a varanda da frente ficava pequena para tanta gente.Aliás, na varanda da frente se podia tomar conhecimento de tudo, desde a previsão do tempo até o novo lançamento dos Beatles pois ninguém cruzava pela rua sem desperdiçar alguns minutos com uma conversa.Grandes verões... lindas lembranças.
Sônia Maria Ferreira Loguercio/ Passo Fundo - RS
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Jane Dias da Costa Cunha
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04/12/2011
02/12/2011
27/11/2011
Encerramento da residência médica da Melissa
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Jane Dias da Costa Cunha
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27.11.11
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06/11/2011
Crônica - Maria Alice Estrella
Procurei por todos os lugares possíveis e imagináveis por um livro, que muito aprecio, tal como aquele que se tem na cabeceira da cama, silenciosa e especialmente colocado. Guardião de pensamentos que partilho com o autor e que me acompanha fiel pelo cotidiano desde tempos atrás. Desconheço seu paradeiro. Tentei, de todas as maneiras, me lembrar se o emprestei e para quem o fiz. Inutilmente. Nem um só resquício de memória veio à tona. O livro desapareceu.Com essa minha mania de fazer associação de ideias, projetei a situação para a vida, para as ocasiões em que emprestamos nossa existência para os outros. Comecei a fazer uma avaliação gradativa e quantitativa das vezes em que deixei de viver a minha essência para viver a realidade dos outros. Constatei meus naufrágios em mares alheios. Assustada, percebi o quanto me deixei de lado, o tanto que transferi de mim mesma por vestir peles que não me pertenciam. Emprestei-me. Simplesmente, como quem sonha o sonho que não é o seu próprio.Perambulei como o livro que sumiu por empréstimo ao desconhecido.Por falta ou excesso de coragem fui me emprestando. Prestando-me para ouvir, para consolar, para falar, chorar, ajudar, esperar, compreender. É um sem fim de me emprestar constante e desmedido, que o espaço em que sou inteira, sem divisões ou extensões, é raro e muito escasso.O privilégio, claro que não é só meu. Muitos se emprestam para ouvir desabafos por horas a fio e se emprestam para atender as solicitações que lhes fazem E pergunto: - Sabes tu o quanto te emprestaste? Quantos momentos transbordaram de ti nos devaneios de outros? Refeita do susto, me reencontro com passagens em que pedi emprestada a vida de muitos e reconheço que tudo não passa de uma via de mão dupla.Na verdade, tudo é questão de empréstimo. O sorriso, o afago, o consolo, a palavra, o silêncio. Troca de peles, de rótulos, de respiração.Empresto o que em mim transborda e peço emprestado o que me falta.Conjugo verbos, uno sílabas, componho um verso livre como o vento que desrespeita limites. Invado teu mundo e nele ergo bandeiras tremulantes que desassossegam tua quietude, teus receios, tuas dúvidas e certezas.Nos meus trejeitos de empréstimo faço algazarras na tua alma e desacomodo tua aparente apatia.Por quê? Pelo mero fato de que escrevo o que, muitas vezes, pensas e escancaro a tua alma na frente do teu espelho. Então, constatas que também te emprestas e que pedes emprestadas vivências alheias.Ao final das contas, somos interessantes e inesgotáveis livros lidos e relidos. Emprestados ou não.
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Jane Dias da Costa Cunha
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6.11.11
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